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Pra seu Governo, Design - TULIO FILHO PRA CURITIBA
Pra Seu Governo, Design!
Pra seu Governo, Design

Já faz alguns anos que vemos os candidatos do Brasil inteiro tentando convencer o eleitor através da velha tríade “educação-segurança-saúde”. O discurso mais que desgastado, continua reverberando pela falta de atitude ou mesmo de planejamento quando estes tornam-se eleitos. Esta falta de planejamento começa com os tais planos de governo.

Não sei se você, caro leitor (e eleitor) já leu alguma vez um plano destes. Se não leu e ficou apenas com o resumo das campanhas na TV, deveria. Eles costumam ser genéricos e até por conta disto pouco cumpríveis, não revelando como as propostas serão executadas, tampouco em que prazo. Ficam muito mais no campo das boas intenções que das verdadeiras metas. O mais triste é que na maioria das vezes não passam de planos de contingência, servindo apenas para tapar buracos. Não buscam fazer um exercício de pensar efetivamente no futuro, em 10, 20, 30 ou 50 anos.

Proponho, portanto, um exercício aos candidatos de 2016. Coloquem um pouco mais de design nos seus planos. Utilizem o design thinking e verão transformações reais nas suas cidades, nas suas propostas. Ok, você pode achar que estou puxando a sardinha para meu lado, ou melhor, para o lado do design. Mas vou contar que o design vem auxiliando e inspirando governos há mais tempo do que você pode imaginar.

Nos rotulados países desenvolvidos, especialmente os europeus, temos contribuições mais que efetivas do design nas estratégias governamentais. Elas acontecem em vários níveis de participação. A principal experiência é no governo da Sua Majestade. Lá, desde 1944 o design faz parte da estratégia oficial do governo. O Design Council, criado com o objetivo inicial de dar novos caminhos para os produtos ingleses em tempos de guerra, foi se redesenhando ao longo dos anos e hoje foca muito a capacidade de transformação do design. E aqui não estamos tratando apenas de empresas e produtos, mas principalmente de serviços públicos, da transformação de comunidades. O design auxiliando na determinação de processos, de serviços. Hoje o Design Council faz parte do Department for Business, Innovation and Skills. Algo como nosso Ministério do Desenvolvimento. Mas muito melhor.

Para você entender onde quero chegar, é necessário explicar um pouco o que é o design thinking. Não é tão difícil. Primeiro é importante você entender que quando falamos em design, não estamos tratando apenas de estética e função. Neste caso, estamos falando de processo. De pensamento criativo. De pensar como designers. O design thinking é baseado em: foco no ser humano, envolvimento dos usuários no processo criativo (co-criação) e prototipagem de ideias, ou seja, elas obrigatoriamente saem do papel.

E um aspecto particular do design thinking deveria ser muito, mas muito observado pelos futuros prefeitos: antes de tentar achar respostas para os problemas, o processo busca definir as perguntas certas. O que me parece quando leio os planos de governo, é que as perguntas certas não foram feitas.

Na grande maioria das vezes, estas respostas são baseadas nas necessidades apontadas pelos consumidores, neste caso, cidadãos. São as famosas “antigas reivindicações”. Ora, se são antigas, será que ainda são válidas? Já está mais que comprovado que nossa capacidade de imaginar o futuro, como consumidores, é fraquinha que dói. Talvez aí esteja o motivo pelo qual boa parte das nossas cidades não se desenvolvem de maneira exponencial há muito tempo. Fica-se apenas com a solução do que precisamos hoje e não do que precisaremos no futuro. Novamente, a operação “tapa-buracos”.

Outra questão importante é entender que não existe apenas uma solução possível para um projeto. Não é necessário exercitar muito nossa memória para pensar na quantidade de supostas soluções que nos foram apresentadas nos últimos anos e que pouco resolveram nossos problemas. Seriam as “primeiras ideias” dentro do planejamento urbano? Uma grande chance de ser. Além de achar a pergunta certa e buscar mais de uma solução, o processo de design thinking ainda prevê que as soluções sejam analisadas dentro de três óticas: viabilidade, factibilidade e desejabilidade.

Agora a pergunta: será que os candidatos e suas equipes realmente pensam desta forma? Acho difícil. Não pela falta de competência e sim pela falta de cultura em se pensar desta forma.

Foi pensando desta nova maneira que a Inglaterra buscou soluções para recolocar os desempregados novamente no mercado de trabalho. O conjunto de soluções encontrado procurou, por exemplo, entender todo o ciclo pelo qual as pessoas marginalizadas passam até chegar à estabilidade no emprego. Para que eles encontrassem uma solução efetiva foi necessário que diversas organizações trabalhassem em conjunto. Não parece um trabalho para um designer não é mesmo? Mas foi pensado por designers. Eles estavam presentes em várias destas etapas e não apenas na hora de criar uma “marquinha” para o programa.

DESIGN E EVASÃO ESCOLAR?

Já na Finlândia, a Unidade de Design Estratégico do SITRA – Fundo de Inovação Finlandês -, buscou uma resposta para diminuir a evasão escolar (que já possui uma das menores taxas do mundo). O governo acreditou que se pudesse recuperar os estudantes perdidos, teria aperfeiçoado seu sistema educacional. A Unidade de Design Estratégico apontou que este era o caminho errado. A evasão era na verdade um sintoma precoce de mudanças na Finlândia. Com a imigração crescente, a sociedade finlandesa estava se diversificando e teria que criar um sistema educacional construído não na homogeneidade e consenso cultural, mas na diversidade. Mais uma vez os designers contribuíram com sua visão que ora consegue ser super genérica e ora é ultra sistêmica.

Nossos candidatos falam sempre em novas ideias, em caminhos criativos para conseguir estancar as feridas geradas pelo desequilíbrio social e econômico a que estamos sujeitos há décadas. Mas pouco se vê de verdadeiramente novo. No mínimo algo requentado. E isto é ruim. Principalmente quando pensamos apenas no tratamento da ferida e não no motivo pelo qual a ferida surgiu. Sem exageros, acredito que o design pode se tornar uma ferramenta de transformação das nossas cidades, do nosso país. Tem gente que já pensa assim. Aqui em terras tupiniquins, isto parece estar muito distante. Vamos mudar isto, guerrilheiros de ideias?

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