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Design como ferramenta poderosa para o futuro da nossa cidade
Mais design pra nossa cidade!

Muitas vezes o Design é pensado como uma atividade elitista, que visa apenas o embelezamento de objetos ou espaços. Porém, a estética talvez seja o menor dos objetivos do Design. Se pudesse descrever qual o principal papel do Design, diria sem pestanejar: transformação. Por meio do Design, produtos, marcas, serviços, hábitos e cidades, sim, cidades, são transformadas.

Estas transformações são possíveis graças a algumas capacidades que o Design e os Designers acabam adquirindo. Primeiro, todo o trabalho de um Designer possui como foco, você. Isto mesmo! O foco do Design é o ser humano. Todos os projetos, processos e soluções, buscam atender necessidades que às vezes estão claras, e que muitas vezes não estão tão aparentes assim. E você pode comprovar isto no seu dia a dia. Aliás, hoje, isto está nas 24 horas do seu dia.

A segunda capacidade interessante desenvolvida pelo Designer, é o envolvimento das pessoas (a gente chama de usuários) nas soluções. A gente acha que uma solução realmente boa, relevante, é aquela que pode ser desenvolvida junto de você. Tem até um nomezinho para isto: cocriação, ou seja, criar junto contigo. E quando você participa deste processo, a chance de termos uma solução real, verdadeira, passa a ser enorme. Além disso, você terá um sentimento muito positivo com a solução encontrada: pertencimento. Não foi algo que “empurraram” para você.

Tem ainda mais uma capacidade interessante. Os Designers buscam colocar suas ideias imediatamente em prática. Nós chamamos isto de prototipar. Funciona assim: teve uma ideia, faz um protótipo, um modelo, um piloto. Porque quando a gente coloca em prática, tira a ideia do papel, é que a gente percebe se ela realmente é boa ou não. Fica muito mais fácil de analisar se ela não precisa de ajustes e se ela precisa mesmo ser aplicada.

E por fim, uma última capacidade. Aliás, para mim, a mais importante: achar a pergunta certa antes da resposta. Ter ideias não é algo assim tão difícil como muita gente fala. A criatividade é inerente ao ser humano. O que acontece, é que algumas pessoas a desenvolvem mais e outras menos. Como uma atividade física, tem que malhar a criatividade. O fato é que nem toda ideia, nem toda solução será uma resposta para um problema. Principalmente se partirmos da resposta. O que o Design propõe, é justamente fazer uma análise mais profunda, diagnosticando a situação para encontrar a verdadeira questão. E quando encontra, a solução passa a ficar muito mais simples. E o melhor, mais uma vez, certeira.

Aplicando em nossa cidade.

Agora vamos projetar tudo isto para nossa cidade. Vamos pensar na possibilidade de aplicar este processo nos problemas que enfrentamos em nosso dia a dia. Problemas que vemos todos os dias, mas que por algum motivo, não conseguimos resolver. Eles viram paisagem. Infelizmente o ser humano possui uma capacidade impressionante de adaptar-se aos problemas. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência. Mas o que precisamos é analisar se, à medida que enfrentamos estes problemas de outras formas, quais resultados teríamos. Provavelmente encontraríamos uma palavrinha como fim: a inovação.

E se pensarmos nas capacidades que acabei de descrever, veremos que elas podem facilmente ser aplicadas no ambiente urbano. Quando falo do foco no ser humano, basta trocar por foco no cidadão. Este mesmo, fará parte do processo de cocriação de soluções para nossa cidade. Os protótipos ou pilotos são ações que visam testar estas soluções na cidade. Por qual motivo precisamos esperar uma solução milagrosa? Por qual motivo não podemos ter soluções regionalizadas? Por que elas precisam ser sempre padronizadas para toda a cidade?

Ah! Não esqueci da última capacidade. Fazer a pergunta certa antes da resposta. Ao imaginar que os gestores públicos pudessem desenvolver esta habilidade, fico pensando em quais reflexos teríamos ao nosso redor. Quantas verbas não seriam economizadas ou melhor aplicadas? Quantos equipamentos ou obras não deixariam de ser abandonadas pela população simplesmente porque ela não foi consultada sobre a sua necessidade? Quanto poderíamos melhorar os serviços públicos? Quanta burocracia não poderia ser aniquilada? Quanto não inovaríamos em nossa cidade?

Por isto tudo, é que tenho falado muito da necessidade de inserirmos de maneira objetiva, e urgente, o Design na pauta das cidades, especialmente nas políticas e na gestão pública. Alguns até estranham o motivo de um Designer como eu, ter a pretensão de buscar uma função política. Mas acho que já ficou claro o quanto Design e política estão muito mais próximos do que você possa imaginar.

Design e política?

Sou um otimista. E portanto, acredito que desta forma podemos ter uma gestão mais eficaz, que economiza recursos, usa a criatividade a seu favor, e consegue trazer soluções eficientes e que possuem o envolvimento e o pertencimento dos cidadãos.

E olhe que não sou só eu que acredita nisto. Tanto é que em várias cidades ao redor do mundo, este movimento de inserção do Design nas políticas e principalmente, na gestão pública, vem ganhando cada vez mais força. Recentemente Helsinque, capital finlandesa, deu um passo gigante neste sentido quando optou por ter um CDO, sim um Chief Designer Officer, ou seja, um Chefe de Design para a cidade.

Esta iniciativa que parece tão simples, trará consequências incríveis para a já incrível Helsinque,  fortalecendo o desenvolvimento estratégico e o uso do pensamento de Design no planejamento de serviços públicos.

O entendimento, por aquelas terras, é de que a forma de desenvolver serviços públicos está mudando. Mais do que nunca é preciso imaginar o futuro, e sem dúvida, o Design ajuda a compreender algo que ainda não existe. Além disso, é impensável termos cidades que ainda não possuem um foco claro no desenvolvimento humano. Só isto conseguirá torná-las mais dignas, igualitárias e inclusivas.

Em Curitiba, apesar de toda a história e do título de Cidade do Design pela Unesco, temos ainda passos bem pequenos. É verdade que nesta última gestão, eles foram dados de maneira um pouco mais rápida e efetiva. Mas ainda há muito por fazer. O Plano Diretor revisado prevê um Plano de Inovação e Design. Este, contemplaria um Programa de Design para Curitiba. Por enquanto, tudo isto está mais no campo das boas iniciativas, do que das boas práticas. É preciso tirar do papel e colocar na rua. Prototipar políticas. Isto é o que precisamos.

Conheça mais sobre a iniciativa de Helsinque: http://bit.ly/29ZVOtf

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